sábado, 13 de novembro de 2010

Retrato falado

Procura-se um rapaz de olhos profundos, da cor da noite passada. Os cabelos são do mesmo tom e avançam por incerta ancestralidade.

As mãos semelham ter trabalhado longamente a maciez do ferro, cada uma desaguando em cinco rios de ébano, talhando mesas e lousas e corpos.

Deve segui-lo um pequeno grupo de elfos.

Relatará um endereço conhecido, porém jamais estará em casa. Se o virem atravessando a avenida, confirmem o seu perfume de laranja e canela, a torre macia dos ombros, as costas aveludadas.

Na voz pode ser que se disfarcem torrentes e luminosa cascata.

Há nela claves de doçura e dureza. 

É prudente abordá-lo com firmeza e conduzi-lo suave, ao som de nina simone.

Um comentário:

  1. Howard Shore criou na mais remota instância da imaginação, aquele que se assemelha a tal perfil e vai além. Essa busca ainda vai te levar além.
    Amém !
    ou Alá, sei lá.

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